Prevalência da carga anticolinérgica relacionada à medicação utilizada por idosos: uma análise retrospectiva transversal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61910/ricm.v9i2.445

Palavras-chave:

Antagonistas Colinérgicos, Idosos, Disfunção Cognitiva, Efeitos adversos, Toxicidade de fármacos

Resumo

Introdução: Segundo dados do IBGE 2018 já são mais de 28 milhões de pessoas idosas no país, sendo o Brasil o 4º mercado mundial com maior consumo farmacêutico. Nesse contexto de polifarmácia, um dos alertas é a carga anticolinérgica, que corresponde ao acúmulo de atividade anticolinérgica intrínseca,  mesmo que a droga não seja necessariamente categorizada como antimuscarínica. A análise de prevalência e frequência da carga anticolinérgica,  é relevante pois são diversos os efeitos adversos atribuídos ao acúmulo dessas substâncias no corpo, tanto a nível periférico quanto central. Objetivo: Identificar a prevalência do uso de medicações anticolinérgicas nos idosos e determinar a  relação entre a carga anticolinérgica e a presença de déficit cognitivo. Método: Análise retrospectiva transversal utilizando prontuários eletrônicos de um ambulatório de Geriatria e associação entre a carga anticolinérgica calculada pela Escala de Risco Anticolinérgico (ARS), Escala Brasileira Anticolinérgica (EBA) e a nota obtida pelos pacientes no Mini Exame do Estado Mental (MEEM) na mesma data. Foram incluídos 209 prontuários na amostra final. Resultados: 57% da amostra apresentou uma redução da nota do MEEM em relação ao esperado pela sua escolaridade. Considerando-se a escala ARS, 38% usavam medicações anticolinérgicas e de acordo com a EBA foram 69%. Obteve-se uma associação estatisticamente significativa entre a variável “baixa nota do MEEM” e  HAS, doença de Alzheimer, demência e baixo nível de escolaridade. Não houve associação entre a carga anticolinérgica, por  nenhuma das escalas, EBA ou ARS. Conclusão: Não foi encontrada uma relação entre o aumento da carga anticolinérgica nas medicações e o declínio cognitivo dos idosos mensurado pelo MEEM. Foi atestada uma alta  frequência do uso de medicação anticolinérgica em idosos. Esse achado é alarmante já que a carga anticolinérgica tem, além dos efeitos centrais e periféricos, associação com desfechos clínicos desfavoráveis de alteração cognitiva, funcional, quedas, hospitalização e morte.

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Publicado

13-08-2026